Weber Haus – Amburana

O Rio Grande do Sul é conhecido como excelente produtor de bons vinhos, título conquistado com a tradição gaúcha altamente influenciada por sua colonização européia. O que eu não imaginava é que nesse estado também se produzisse cachaça, pois é, cachaça! O Rio Grande do Sul produz algumas cachaças de qualidade notável, uma delas será nosso tema no post de hoje.

Trata-se da Weber Haus Amburana. É, é isso mesmo! Cachaça genuinamente brasileira com nome alemão, produzida na pequena cidade de Ivoti (o maior núcleo de casas enxaimel do Brasil, pertencente à Rota Romântica, Inspirada em um roteiro turístico da Alemanha), a poucos quilômetros da capital Porto Alegre.

A primeira vez que a experimentei foi no restaurante Mocotó, em São Paulo, apresentada pelo somelier da cachaça Leandro Batista. Mais tarde, quando fui a Porto Alegre a trabalho, já pedi aos colegas que me levassem até uma loja especializada em cachaça: justifiquei que gostaria de comprar uma cachaça gaúcha que já havia conquistado um prêmio internacional. Todos riram, pois embora sejam gaúchos, até então nem sabiam que o RS tinha cachaça e tampouco premiada, quiçá internacionalmente.

Jorge Sartori foi quem me levou até o Mercado Público, a uma loja de cachaças. Fui atendido por um simpático senhor, conhecedor profundo sobre o assunto, a quem disse de cara que estava à procura da Weber Haus. Porém, não especifiquei ser a amburana, pois até então desconhecia que existiam várias opções de Weber Haus. Ele me apresentou muitas delas e acabei comprando uma ouro e outra prata, achando que a ouro seria aquela que eu havia bebido em São Paulo.

Ao retornar a BH, degustando a preciosa, não consegui reencontrar aquele sabor marcante da outra vez. Ora! Acho que comprei a cachaça errada. A que eu havia comprado era muito boa, mas não era aquela de que eu estava à procura. Essa era, na verdade, a Weber Haus Carvalho e Cabriúva.

Passado algum tempo, veio a Expocachaça 2011 em BH, onde havia um stand da Weber Haus. Lá pude degustar alguns produtos e, entre um gole e outro, eis que surge Weber Haus Amburana. Nesse instante, um grito sai da garganta extaseada com o sabor que acabara de reviver: “É essa! ___ Achei a bendita!!!”, simplesmente ela, encorpada, viscosa, saborosa, cheirosa, um tudo inconfundível, sou obrigado a me dobrar diante dessa amburana sem precedentes.

Tudo começou em 1948, quando os Webers iniciaram o processo de produção artesanal de cachaça para o próprio consumo, em plena Serra gaúcha, sempre procurando a melhoria contínua do produto e hoje contando com um processo naturalmente ecológico.

As variedades de cana-de-açúcar são perfeitamente adaptadas ao solo e ao micro clima da região. Ao canavial é dado um tratamento ecologicamente correto, o plantio e a colheita são executados manualmente e a moagem da cana é feita no mesmo dia do corte, sendo sucedido por uma fermentação orgânica e totalmente controlada e concluindo com a destilação que despreza a cabeça e cauda – que possuem qualidade inferior. Tudo isso dá à Weber Haus Amburana um resultado inconfundível. Se você ainda não experimentou, está dada a dica de uma cachaça que realmente chama a atenção.

  • Viscosidade: Alta
  • Aroma: Perfumado
  • Sabor: Suave com notas de acidez
  • Graduação Alcoólica: 38%
  • Coloração:Amarelo escuro
  • Estilo: Armazenada em tonéis de Umburana por 1 ano
  • Comercialização: Garrafa transparente de 700 ml
  • Preço: R$ 30,00
  • Origem: Ivoti-RS
  • Produtor: Weber Haus
  • Site: www.weberhaus.com.br

Maria da Cruz – Armazenada em Umburana

 

Pedras de Maria da Cruz é uma cidade de 10 mil habitantes, situada à margem direita do rio São Francisco, próximo a Januária, no norte de Minas Gerais. Um lugar onde a maior parte da população se encontra na zona rural, trabalhando com a agricultura e a pecuária. Lá está localizada a Fazenda do Cantagalo, pertencente à família do ex-presidente da república, José de Alencar.

A Fazenda do Cantagalo é responsável pela produção de algumas boas cachaças, a mais famosa delas é a Maria da Cruz. Armazenada em Umburana por três anos, com uma graduação alcoólica de 46%, sendo resultado de um rigoroso sistema artesanal de produção, leva-se em conta a escolha da cana, colheita seletiva, fermentação natural(milho maltado), separação cabeça, coração e calda, análise laboratorial a cada destilo e o armazenamento na Umburana, que é uma madeira brasileira nativa no norte de Minas (haja vista que a maior parte das cachaças fabricadas nessa região são armazenadas ou envelhecidas nessa madeira).

Umburana, Cerejeira, Amburana ou Imburana – tudo é, na verdade, a mesma madeira. Você vai encontrar cachaças usando qualquer uma dessas denominações para designar seu armazenamento ou envelhecimento, trata-se de um gênero de árvore brasileira com cheiro acentuado, peculiar, agradável, lembrando baunilha. Esse nome tem origem no tupi-guarani (umbu=o que faz brotar água + rana=semelhante), ou seja, semelhante a umbu.

A cachaça em questão tem um sabor marcante, um aroma muito agradável, uma coloração amarelada por um preço justíssimo – cerca de R$ 20,00 em média. Pode-se dizer que é uma das melhores do Brasil! Tá aí um legado deixado por José de Alencar que você precisa experimentar.

  • Viscosidade: Relativamente Alta
  • Aroma: Amadeirado forte
  • Sabor: Doce com baixa acidez
  • Graduação Alcoólica: 46%
  • Coloração:Amarelo(já vi claro e escuro)
  • Estilo: Armazenada em tonéis de Umburana por 3 anos
  • Comercialização: Garrafa transparente de 700 ml
  • Preço: R$ 20,00
  • Origem: Pedras de Maria da Cruz-MG
  • Produtor: Fazenda do Cantagalo
  • Site: www.fazendadocantagalo.com.br

Dedo de Prosa – Armazenada em Carvalho

No Carnaval desse ano, resolvi matar a saudade de um grande amigo e irmão – meu cumpadre Celso Fiorini. Fazia tempo que a gente não tinha um dedinho de prosa. Sai de BH no domingo pela manhã junto com meu filho. Nosso destino era o Sul de Minas e a cidade de Paraguaçu, onde mora o Celso. Chegando lá, foi só festa, pude rever seus filhos já crecidos, rever a Helen – sua esposa – , os amigos Donda e Nenê, foi uma tarde maravilhosa regada à costela assada, cerveja e gongozola com cereja.

É claro que precisava de uma boa cachaça para coroar aquele reencontro, Celso me levou até uma mercearia que apresentava uma boa quantidade de marcas de boas cachaças mineiras, optei pela Dedo de Prosa, sabia que com esta escolha não haveria erro.

Quando a noite chegava, Celso recebeu um convite para ir até uma festa numa casa em Fama, cidade próxima, conhecida pelo turismo e pela vida boêmia em torno de uma bela parte da represa de Furnas.

Celso, a garrafa de Dedo de Prosa e eu deixamos as crianças com a Helen e fomos. Ao chegarmos, deparamo-nos com uma galera nota mil, ouvindo música de boa qualidade, batendo papo, comendo churrasco e tomando cerveja.

Lá estavam Ricardo Fiorini e sua esposa Amanda, o Igor – nosso anfitrião -, estava também o cantor Landau, que eu já conhecia de tempos passados, quando ele era uma criança e ainda não trilhava sua vida artística, e muitas outras pessoas bacanas cantando músicas que o Celso comandava no violão e eu atrapalhava na percussão.

Não é que a Dedo de Prosa fez o maior sucesso, acabou bem rápido e depois, fiquei sabendo através do Ricardinho, a festa continuou no outro dia regada a outra garrafa de Dedo de Prosa. (Também pudera, uma cachaça bem elaborada, que já levou o primeiro lugar em um concursos de cachaça da USP não poderia ser diferente).

A Dedo de Prosa tem primado cada vez mais pela qualidade de uma boa cachaça, fabricada em um alambique padrão, instalado entre as montanhas e vales da Serra da Mantiqueira, no sul das gerais, mais precisamente no bairro Córregos da Onça, zona rural do município de Piranguinho. Ela é armazenada em barris de carvalho, apresentando notas de tostado, possui uma coloração dourada e cristalina, seu doce aroma mistura o frutado da cana de açucar com a presença da madeira, um sabor marcante quase sem acidez. Sua graduação alcoolica é de 40%, o que faz dela uma cachaça suave e agradável, que vale a pena experimentar.

  • Viscosidade: Baixa
  • Aroma: Frutado com pontos amadeirados
  • Sabor: Suave com média acidez e notas de tostado
  • Graduação Alcoólica: 40%
  • Coloração: Dourada e cristalina
  • Estilo: Armazenada em tonéis de carvalho por 4 anos
  • Comercialização: Garrafa transparente de 700 ml
  • Preço: De R$ 25,00 a R$ 35,00
  • Origem: Piranguinho – MG
  • Produtor: Agroindustrial Serra Grande Ltda
  • Site: www.cachacadedodeprosa.com.br

De Norte a Sul via Mocotó.

Dia desses fui a São Paulo participar de um curso da empresa. Estando lá, pensei “não posso deixar de aproveitar, em minha estada aqui, a oportunidade de conhecer o ‘Mocotó’, um local sobre o qual eu sempre lia no blog Mapa da Cachaça. Sabia que lá existia uma pessoa que conhece muito de cachaça (refiro-me a Leandro Batista, um dos maiores experts em cachaça do mundo atual.

Pois é, depois de um dia inteiro de treinamento, perguntei a um amigo, o Christiano Augusto, se topava ir comigo, sair da região do Ibirapuera e ir até a zona Norte de São Paulo. Disse ainda que a melhor estratégia no fim de tarde seria utilizarmos o metrô até Tucuruvi e, dali, pegarmos um táxi. Não é que o Christiano, um cara acostumado com os requintes europeus, topou a parada! Em plena quinta-feita, hora do rush, dentro de um metrô paulistando, estávamos lá – Christiano e eu – de pé, espremidos na multidão e, ainda assim, trocando uma idéia até chegarmos à distinta estação e ainda pegamos um táxi até o famoso Mocotó.

Logo que nos sentamos, já pedi, de cara, uma “Rainha Paraibana” (tinha muita vontade de conhecer uma das cachaças mais fortes do Brasil). Aliás, ela teve até que reduzir sua graduação alcoólica para se adequar à legislação e continuar sendo chamada de cachaça.

Após alguns minutos, perguntei ao garçon se era ali que trabalhava o somelier da cachaça. Muito gentil, disse que dentro de alguns instantes o próprio Leandro viria até a nossa mesa. Não é que isso aconteceu… Passado algum tempo, deparo-me com aquele de quem já me tornei fã “Leandro Batista” em pessoa, com uma receptividade indescritível. Um pouco de conversa e ele percebeu meu interesse pela genuína bebida brasileira e disse que faria conosco uma viagem pelo Brasil através da cachaça.

Começou nos apresentando a região Sul através da Weber Haus, uma cachaça produzida em Ivoti-RS, cidade próxima a Porto Alegre; depois foi para a cidade de Luiz Alves, em Santa Catarina, produtora da Terra Dourada; passou pelo Paraná com a Quatro Luas, de Morretes. Enquanto isso, Christiano e eu comíamos um escondidinho de excelente qualidade, mas como a cada 20 minutos, Leandro aparecia com uma nova cachaça, uma nova história e um novo conhecimento, a questão gastronômica acabou ficando para trás.

Chegamos a São Paulo com a Mato Dentro, de São Luiz do Paraitinga. Passamos pelo Rio de Janeiro com a Coqueiro Envelhecida de Parati. Em Minas com Jacúba, Canarinha e Maria da Cruz; até partimos para o Espírito Santo com a Reserva do Gerente Premium. Da Bahia, experimentamos a Serra das Almas, da Chapada Diamantina. Do Ceará, a Kariri, de Barbalha. Daí em diante, a memória foi embora…. rsrsrsrsrs.

Fim de noite, Mocotó fechando (de segunda a sábado funciona até as 23 h.), eis que o Christiano pede um energético com Vodka, afinal essa é a praia dele. Tiramos algumas fotos para registrarmos essa maravilhosa estada no Mocotó, um lugar incrível (cachaçaria e restaurante comandado por um dos 100 mais influentes do Brasil, segundo a revista Epoca, o chef Rodrigo Oliveira). Valeu, Christiano, foi uma noite bastante legal! Valeu, Leandro, sua atenção e gentileza fizeram a diferença!


Minas, BH e Cachaça. Tudo a ver!


Cachaça Gourmet 2011-Festa de Encerramento

Neste sábado próximo, 2/4, acontecerá, no Mercado Distrital de Santa Tereza (Rua São Gotardo, 273), em BH, a partir de 12 horas, a festa de encerramento da 3ª edição do Festival Gastronômico Cachaça Gourmet.

Esse festival, que está sendo realizado desde 5 de janeiro e termina agora dia 31 de março, conta com a participação de 25 restaurantes com pratos e coquetéis à base de cachaça artesanal, tendo como organizador o Clube Mineiro da Cachaça, e o apoio da Prefeitura de Belo Horizonte, BH Convention & Visitors Bureau, AMPAQ e Krug Bier.

Durante este evento haverá apresentações artísticas, venda dos pratos participantes com preços promocionais e degustação de mais de 20 marcas inscritas no festival, além da entrega da premiação.

Os ingressos já estão à venda em todos os 25 restaurantes participantes ao preço R$ 30,00. Maiores informações poderão ser obtidas em www.cachacagourmet.com.br

Curtir uma boa música, experimentar alguns pratos interessantes e degustar boas cachaças será, sem dúvida, um excelente programa.


Áurea Custódio – Armazenada em carvalho

Degustar cachaça é realmente fantástico; descrever essa experiência tem sido bastante interessante, o que não faltam são os incentivos dos amigos. Aliás, a iniciativa de fazer este blog teve grande influência do Gustavo, bloqueiro de longa data e criador do primeiro site para criação e hospedagem de blogs do Brasil, o Desembucha.com. Junto com a Fernanda, ele produz o Casal Geek, um blog diversificado, repleto de posts bacanas; além de encorajar pessoas como eu a compartilhar suas experiências. E por falar em experiência, sigo nessa “difícil” e “sofrida” jornada:

Desde 13 de setembro do ano passado, a Empresa de Turismo de Belo Horizonte (Belotur) mantém o Cachaçatur – um roteiro dedicado ao consumo da cachaça artesanal – que apresenta cerca de 16 restaurantes, algumas lojas especializadas e alambiques localizados em BH e região.

Sempre que tenho a oportunidade, visito um desses locais para apreciar uma cachaça diferente. Dia desses estive no restaurante Jardim de Minas, situado nas imediações do Aeroporto da Pampulha – um local aconchegante com estilo rústico, que comporta aproximadamente 500 pessoas e que tem uma carta de cachaças de mais ou menos 30 marcas.

Naquele sábado, durante o almoço, enquanto ouvia um pouco de MPB entoada por dois músicos de ótima qualidade, experimentei algumas das marcas da carta, entre elas estava Áurea Custódio, uma cachaça que chama a atenção daqueles que apreciam o aroma inconfundível do carvalho, com um sabor amadeirado suave e pouquissíma acidez revelando um processo de fermentação apropriado.

Ao pesquisar um pouco sobre esta marca, descobri que seu produtor ganhou o 1º lugar da primeira edição do Concurso “Cachaça de Minas”, que aconteceu no final de 2009, promovido pela Federação Nacional dos Produtores de Cachaça de Alambique (Fenaca), sob a coordenação da Universidade Federal de São João del Rei (UFSJ).

Áurea Custódio é produzida na Fazenda Uberabinha, em Ribeirão das Neves-MG, região metropolitana de Belo Horizonte, e comercializada em garrafa de 750 ml, com vidro escuro, utilizando rolha como tampa. Possui coloração amarelo-ouro e não é envelhecida, apenas armazenada.

Segundo a legislação brasileira, uma cachaça caracterizada como “armazenada” permanece por tempo indeterminado em tonéis de madeira sem que este tenha um tamanho específico; diferentemente da caracterizada como “envelhecida”, que deverá possuir pelo menos 50% de seu volume armazenado por, no mínimo, um ano em tonéis de até 700 litros. Há ainda a cachaça 100% envelhecida, de um a três anos, chamada “Premium”; e a “Extra-Premium”, também 100% envelhecida, com um tempo mínimo de três anos, ambas em tonéis de até 700 litros. Quanto menor o tonel e maior o tempo de armazenamento, maior também será a influência da madeira no sabor, no aroma e na coloração da bebida.

Portanto, Áurea Custódio é armazenada em tonéis de carvalho por um período de um ano e possui um teor alcoólico de 40%, o que me permite dizer ser uma cachaça bastante suave e saborosa.

  • Viscosidade Média
  • Aroma Amadeirado suave
  • Sabor Suave com pouquíssima acidez
  • Graduação Alcoólica 40%
  • Coloração Amarelo-ouro
  • Estilo Armazenada em tonéis de carvalho
  • Comercialização Garrafa escura de 750 ml
  • Preço R$ 52,90
  • Origem Ribeirão das Neves – MG
  • Produtor Agroindustrial Fazenda Uberabinha Ltda
  • Email cachacaaureacustodio@gmail.com
  • Loja da Fábrica Av. Contorno, 7086 – Belo Horizonte/MG – tel (031) 9913-1073.